Favoritismo faz bem para o Brasil na Russia?

Bélgica, Alemanha, Argentina, França, Portugal, Espanha e, é claro, o Brasil, são os favoritos do técnico Tite para conquistar a Copa do Mundo da Rússia, que começa na próxima quinta-feira. O fato de estar na lista do treinador, e de muita gente, como uma das equipes mais fortes antes do Mundial, no entanto, não faz bem à Seleção. Pelo contrario.

Para não ir muito além, apenas de 1994 para cá, sempre que chegou entre às preferidas da opinião pública, o Brasil saiu de campo praticamente de mãos abanando. Só vice-campeonato de 1998 e o quarto lugar de 2014 podem ser considerados resultados regulares, apesar de decepcionantes pelas circunstâncias.

Vinda de uma Copa frustrante na Itália, o Brasil chegou para o torneio nos Estados Unidos com a bagagem cheia de desconfianças, pois havia se classificado “na bacia das almas” nas Eliminatórias – inclusive sofrendo sua primeira derrota nesta fase do Mundial, para a Bolívia.

Além disto, o técnico Carlos Alberto Parreira não conseguia dar um padrão ofensivo à equipe e apostou em uma tática mais defensiva – contrariando o “DNA do futebol brasileiro”.

Apesar disto, no entanto, a Seleção voltou para casa com a taça na mão, o que ajudou a credencia-la como principal favorita para a Copa de 1998.

Já sob o comando de Zagallo, o time voltou a apresentar futebol mais ofensivo e os resultados apareceram – duas finais e um título nas Copas Américas anteriores e a conquista da Copa das Confederações pela primeira vez.

O resultado, foi uma derrota decepcionante na final, em vista que a França não jogava uma boa Copa, apesar de estar em casa – a própria torcida francesa não acreditava no título, mesmo durante o torneio.

O relativo fracasso naquele Mundial levou novamente a uma nova mudança de postura em 2002. Agora sob o comando de Felipão, o Brasil voltou a jogar de forma defensiva e chegou à Copa jogando mal, passando por verdadeiros vexames diante de equipes como Honduras e Austrália, respectivamente na Copa América e na Copa das Confederações do ano anterior.

No entanto, durante a Copa, o talento individual principalmente de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho levou a Seleção a encontrar um jeito de jogar bem e conquistar o título.

Novamente, a festa e alegria voltaram. E junto com eles, o favoritismo. Em 2006, novamente sob o comando de Parreira, o Brasil chegou para a Copa na Alemanha motivado pelos títulos da Copa América e da Copa das Confederações, ambos sobre a rival Argentina, além de ter um time repleto de estrelas – Ronaldo, Adriano, Robinho, Kaká e Roberto Carlos, só para citar alguns.

Só que a festa e alegria antes da Copa foram tamanhos que a equipe chegou despreparada fisicamente – nas palavras do próprio Parreira, alguns atletas se apresentaram 9 kg acima do peso ideal, por exemplo. O resultado foi uma eliminação diante da Holanda nas quartas de final, em um jogo que poderia ter vencido com facilidade ainda no primeiro tempo.

A austeridade e seriedade de Dunga se transformaram nos títulos da Copa América e da Copa das Confederações nos anos anteriores ao Mundial e novamente deixaram a Seleção na condição de favorita em 2010, na África do Sul.

No entanto, a aposta do treinador em uma equipe mais velha, com alguns jogadores importantes voltando de lesão e deixando de fora jovens talentos como Neymar e Ganso – que brilhavam no Santos – se mostrou equivocada, afinal, haviam poucas opções para mudar o esquema em caso de necessidade.

O conservadorismo excessivo custou caro e a Seleção caiu nas quartas de final daquela Copa, diante da França, naquele famoso jogo onde Roberto Carlos foi flagrado arrumando as meias enquanto Thierry Henry mandava a bola para o gol.

Para 2014, agora em casa, apostou-se novamente Felipão, na tentativa de deixar para trás as tensões da “Era Dunga” na Seleção. O resultado, no entanto, veio um ano antes do Mundial, com show e título na Copa das Confederações.

O Brasil não fez uma Copa ruim em 2014, vencendo verdadeiras batalhas contra Chile e Colômbia, até a semifinal contra a Alemanha. A derrota, em si, não foi chocante e pode ser considerada um resultado normal. Mas o placar…

A consternação pelo 7 a 1 na semifinal foi tamanha que quase ninguém se ligou que o 3 a 0 sofrido diante da Holanda, na decisão do terceiro lugar, foi a segunda pior “goleada” sofrida pelo Brasil em Copas, ao lado da final de 1998, pelo mesmo placar.

Aos poucos, o trauma foi superado. Graças aos bons jogos e resultados satisfatórios nas Eliminatórias, após Tite assumir o cargo de técnico, o Brasil chega novamente a um Mundial na condição de favorito. Resta saber se este favoritismo irá se transforma em título, ou se pelo em boas campanhas, com em 1998 e 2014. 7 a 1 a parte.

Crédito: Crédito: Tercio David Braga

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